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13/10/2006 16:02
O chuchu maravilha

Por Romeu Tuma

Muito se falou em dossiês e armações nas últimas semanas. A cena eleitoral ficou dividida entre bandidos vermelhos e mocinhos azuis; a quadrilha dos petistas contra os paladinos da moralidade tucanos. Vendeu-se a idéia de que governistas estavam dispostos a perpetuar-se no poder com tramóias e conluios, enquanto os mocinhos do PSDB agiam como defensores dos bons costumes e do jogo limpo na política. Até aí, tudo bem. O roteiro colou direitinho e Geraldo Alckmin ganhou fôlego para seguir na disputa. Ocorre que o segundo turno começou e a ladainha segue. Mudou, porém, a postura do Picolé de Chuchu, que agora engrossa a voz e, dedo em riste, cobra do presidente uma atuação mais digna para varrer a corrupção no Planalto.

Tudo isso não passa de teatro, trabalho bem feito de marketing. Quem conhece o tucano, sabe que ele late, mas não morde. É só para inglês ver e dar a impressão de que o Geraldo pode governar o país. Quando é convidado a apresentar propostas, ele franze a testa, levanta os punhos e pergunta de onde veio o dinheiro do dossiê. Não fala sobre economia, projetos sociais, relações internacionais, planos para conter o desemprego, novas privatizações, reforma da Previdência, ou seja lá o que for. Sua plataforma é simples: tirar Lula do poder com a repetição de acusações.

Nem na área da Saúde, suposta vitrine da administração FHC, ele consegue tirar coelhos da cartola. No debate da semana passada, pela TV, o candidato disse que vai ser o “presidente das Santas Casas”. A promessa inclui-se naquela velha tática do “me engana que eu gosto”. Só pode ser isso. Porque em 12 anos de administração tucana, o que se viu em São Paulo foi a deterioração dessas unidades de saúde, que sequer tiveram apoio do governo tucano na época em que José Serra era ministro. O pior é que o presidenciável Geraldo nem fica mais vermelho quando conta uma lorota dessas.

Alckmin é médico de formação, embora tenha exercido a carreira por pouco tempo. Jamais enfrentou fila em hospital público e não fez nada para as Santas Casas quando tinha a caneta na mão. Pelo contrário. Na Assembléia Legislativa, costumava mobilizar sua tropa de choque, a mesma que impediu a instalação de 70 CPIs, a agir na contramão do que o setor exigia. Quem duvidar disso, que vá a uma unidade e pergunte aos médicos e pacientes como anda a situação por lá. Se Alckmin não fez nada para resolver o problema quando era governador, por que faria agora?

O discurso tucano também empurra para debaixo do tapete os problemas com a segurança pública, com a Febem, os desvios de verbas publicitárias na Nossa Caixa, as denúncias contra a CDHU, as privatizações equivocadas e os preços absurdos dos pedágios – sem falar nos vestidos bordados (e gratuitos) da primeira-dama Lu Alckmin. Mas isso nunca vem ao caso. O que importa é saber de onde veio o dinheiro do dossiê e se apresentar como a salvação da lavoura. Mas, cuidado. O chuchu maravilha pode ser amargo e indigesto.
enviada por Romeu Tuma



27/09/2006 14:00
A quem interessa o dossiê dos Vedoin?

Por Romeu Tuma

José Serra é o principal disseminador da “Lei de Ricupero”, que foi cunhada pelo ex-ministro de mesmo nome no final do governo Itamar Franco: “o que é bom a gente mostra, o que é ruim a gente esconde”. Entre as preferidas dos tucanos, também podemos separar aquela máxima lançada pelo ex-jogador Gérson décadas atrás, que dizia que era bom levar vantagem em tudo. Só isso pode explicar a desfaçatez dos tucanos, sobretudo os mais graduados, que aparecem na TV cobrando soluções contra quem queria comprar o dossiê da família Vedoin sobre a máfia das ambulâncias.

O principal problema dos petistas gira em torno da origem dos recursos que foram utilizados para a frustrada compra dos documentos. Quanto ao uso do material, existe muito barulho, mas poucas certezas até o momento. Ninguém conseguiu provar que as acusações seriam utilizadas contra José Serra. Também não ficou claro se os petistas queriam agir rapidamente para evitar que o dossiê fosse parar nas mãos dos inimigos. Afinal, até onde se sabe, a munição que poderia ser utilizada em um lado do front causaria estragos iguais, senão maiores, do outro lado do campo de batalha.

Não é à toa que o PSDB abomina referências ao conteúdo da papelada apreendida pela Polícia Federal. O calhamaço envolve gente graúda, como o secretário-executivo e depois ministro da Saúde de FHC, Barjas Negri. Braço direito de Serra, Negri é amigo íntimo do empreiteiro Abel Pereira, apontado pelos Vedoin como a porta de entrada para o início das falcatruas no Palácio do Planalto. O empresário Pereira transitava livremente pelos corredores da gestão tucana, mas pouca gente tem se preocupado em saber como ele foi parar em Brasília. Dizem até que nos últimos dias o senhor Abel Pereira esteve na cidade atrás do tal dossiê. Será que ele iria esconder o documento?

Outro personagem curioso nessa crise é Geraldo Alckmin. Do jeito que fala, o ex-governador paulista nem parece ser a mesma pessoa que entregou as cadeias aos bandidos do PCC nos últimos 12 anos. Serra engrossa o coro. Não comenta, e sequer é questionado sobre a investigação da Polícia Federal em torno da Máfia dos Vampiros, quadrilha especializada na venda de produtos hemoderivados superfaturados na gestão tucana. A investigação indicava que Serra sabia de tudo o que acontecia. Na última hora, porém, seu nome saiu do relatório e foi trocado pelos petistas Umberto Costa e Delúbio Soares. A uma semana da eleição.

Estranhamente, ninguém se lembra que Serra montou um “SNI” paralelo no Ministério da Saúde, dirigido por Barjas Negri e alguns arapongas, que conseguiu destruir a candidatura de Roseana Sarney pelo PFL em 2002, quando se “descobriu” um milhão de reais no cofre da empresa de seu marido no Maranhão. Ao mesmo tempo, eles foram incapazes de desvendar a máfia dos sanguessugas e dos Vampiros, que movimentava o andar abaixo da sala do então ministro. Afinal, foi incompetência ou má fé?

A operação abafa dos tucanos segue em marcha. Não se vê qualquer menção sobre seus projetos para o país ou para os estados. Não se discute educação, saúde, saneamento básico ou segurança pública. Alguém se lembra do PCC? Ou do desvio de verbas públicas da Nossa Caixa para fazer publicidade nas revistas dos amigos de Alckmin? Não há uma linha sobre esses assuntos, embora haja espaço de sobra para estampar manchetes sobre um dossiê que ninguém viu, que não chegou a ser utilizado, e sobre o qual pairam suspeitas a respeito da autenticidade. Mas o modus operandi do tucanato não falha nunca. Doa a quem doer.
enviada por Romeu Tuma



26/09/2006 15:20
Trecho de reportagem de Tom Hennigan sobre a violência em São Paulo, publicada pelo "The Times" no final de semana.

"My evaluation is that the total could pass 300 deaths," said Romeu Tuma Jr, who served for more than 25 years on the São Paulo police force, heading the São Paulo Interpol office, and who now serves as a deputy in the São Paulo legislative assembly.

"Minha avaliação é que o total pode passar de 300 mortes", diz Romeu Tuma Jr, que trabalhou na polícia de São Paulo por mais de 25 anos, chefiou o escritório da Interpol em São Paulo, e hoje é deputado na Assembléia Legislativa de São Paulo.
enviada por Romeu Tuma






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